sábado, 23 de novembro de 2013

'A vitória é nossa', diz transexual do RS que provocou mudanças no SUS


 
Publicado pelo G1
 
Ao ficar sabendo sobre as mudanças para o atendimento de transexuais e travestis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), publicadas nesta quinta-feira (21) pelo Ministério da Saúde, o serígrafo Renato Fonseca, de 46 anos, viu cada vez mais próximo o fim da longa fila de espera que o atormenta há sete anos. Ele é uma das vozes mais graves entre o grupo com cerca de 30 pessoas que ingressou, no Rio Grande do Sul, com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) para que o SUS contemplasse transexuais masculinos em cirurgias de trocas de sexo no Brasil.
 
Nascido Rosane Oliveira da Fonseca, Renato esperava há muito tempo pela oportunidade de fazer a cirurgia de troca de sexo. Agora, com as novas diretrizes do Ministério da Saúde, válidas para todo país, o procedimento poderá ser marcado a qualquer momento.
 
“Fizemos tudo juntos, a vitória é nossa. A gente vive tapado com roupas em pleno verão. Queremos a liberdade. Estou desde ontem (quinta) vibrando muito. É uma alegria enorme”, descreve.
 
Renato adianta que na próxima segunda-feira (25) o grupo estará no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) para dar início ao processo de marcação das cirurgias.
 
“Esperamos que o hospital agilize. A gente passa tanto tempo em avaliação com psicólogos e psiquiatras para que eles tenham certeza da nossa certeza que, quando chega uma notícia dessas, a ansiedade é quase incontrolável”, afirma.
 
O procurador regional da República da 4ª Região, Paulo Leivas, foi um dos que ajuizaram a ação para que o SUS incluísse na sua lista de procedimentos a cirurgia de transgenitalização, ou mudança de sexo, em meados de 2002. Cinco anos depois, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região deu parecer favorável e notificou a União, que recorreu da decisão. As possibilidades de reversão judicial foram esgotadas em 2009. Desde lá, a medida estava sendo descumprida, conforme o procurador.
 
“A União desistiu dos recursos por causa de uma declaração do então ministro da Saúde (José Gomes Temporão), que declarou ser favorável ao direito dos transexuais. Ou seja, a decisão transitou em julgado. O SUS começou a oferecer o procedimento a transexuais femininos e ignorou os masculinos até hoje”, explica.
 
O Programa de Transexualidade do HCPA é coordenado pelo cirurgião Walter Koff, também professor de urologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ele também exaltou as mudanças anunciadas pelo Ministério da Saúde. “Temos 32 pacientes na fila esperando essa portaria para poder retirar mamas, ovários e útero. Isso vai ser muito importante.” O HCPA é um dos quatro centros brasileiros capacitados para realizar esse tipo de tratamento. A instituição já fez 168 cirurgias de redesignação do sexo masculino para feminino.
 
Novas diretrizes do Ministério da Saúde
 
A Portaria 2.803 de 19 de novembro de 2013, publicada nesta quinta-feira (21) no Diário Oficial da União, estabelece que os transexuais masculinos – pessoas que são fisicamente do sexo feminino, mas se identificam como homens – tenham as cirurgias de retirada das mamas, do útero e dos ovários cobertas pelo sistema público. Eles também passam a ter direito à terapia hormonal para adequação à aparência masculina. Esse grupo não estava incluído na portaria que regia o processo de mudança de sexo pelo SUS até então.
 
Já as transexuais femininas – pessoas que nascem com corpo masculino, mas se identificam como mulheres – também terão um tratamento adicional coberto pelo SUS: a cirurgia de implante de silicone nas mamas. Desde 2008, elas também têm direito a terapia hormonal, cirurgia de redesignação sexual – com amputação do pênis e construção de neovagina – e cirurgia para redução do pomo de adão e adequação das cordas vocais para feminilização da voz.
 
A partir de agora, também terão direito a atendimento especializado pelo SUS os travestis, grupo que não tem necessariamente interesse em realizar a cirurgia de transgenitalização. A portaria define que o tratamento não será focado apenas nas cirurgias, mas em um atendimento global com equipes multidisciplinares.
 
Polêmica da idade mínima
 
As novas regras estabelecem a idade mínima de 18 anos para início da terapia com hormônios e de 21 anos para a realização dos procedimentos cirúrgicos. Essas são as mesmas idades estabelecidas pela Portaria 457, de 19 de agosto de 2008, regra que regia o processo de mudança de sexo até então.
 
Em 31 de julho deste ano, o Ministério da Saúde chegou a publicar uma portaria para definir o processo transexualizador pelo SUS – suspensa no mesmo dia da publicação – que estabelecia a redução da idade mínima para hormonioterapia para 16 anos e dos procedimentos cirúrgicos para 18 anos, o que foi revisto nas novas regras.
 
Segundo o Ministério da Saúde, essa revisão foi decidida para adequar as normas à resolução 1955, de setembro de 2010, do CFM. Para Koff, o ideal para o paciente é passar pelo tratamento o quanto antes. “Vamos reivindicar que se abaixe a idade mínima para a cirurgia e para o tratamento com hormônios. Quanto antes, melhor. Como esse processo começa na infância, quando eles têm 16 anos, já estão no fim da puberdade e têm condições de tomar a decisão”. Segundo ele, o tratamento precoce pode evitar sofrimentos no âmbito social e afetivo.
 

Cartunista gay explica como é namorar transhomens


 
Publicado pelo Lado Bi
 
A sexualidade humana é algo fascinante e com muito mais gradações que as simples oposições homem-mulher ou gay-hétero. Muitas vezes as pessoas acabam “arredondando” suas preferências para simplificar sua vida ou o convívio social, deixando de fazer coisas que gostariam para conseguirem se encaixar em algum estereótipo. Ou escondem o tipo de pessoa ou atividade que gosta de praticar das pessoas com que convivem para não ter que ficar dando explicações ou satisfações. Ou pura preguiça de ter que fazer o mesmo discurso mais uma vez.
 
 
Um dos matizes mais interessantes (e que mais causam dor de cabeça) são os casos de transhomens ou transmulheres que querem fazer a transição para o sexo oposto para assim conseguirem… ter relações homossexuais. A reação padrão costuma ser: “Mas se você já era mulher e já conseguia pegar homem, para que virar homem?? Pra que mudar para homem se não é para pegar mulher??? Tá louca, criatura?!?”.
 
 
Acontece que o gênero com o qual você se identifica é uma coisa, e o gênero pelo qual você é atraído é outra separada. Calha que na imensa maioria das vezes as pessoas se identificam com seu gênero de nascimento, e se sentem atraídas pelo gênero oposto. Mas você pode se sentir atraído pelo próprio gênero e curtir o gênero em que nasceu (grande parte dos homossexuais). Você se identificar com o gênero diferente do em que nasceu quer apenas dizer que você é trans. Um trans pode ser heterossexual ou homossexual. Quem diz que um trans homossexual poderia simplesmente se manter no gênero de nascimento para se envolver com o gênero de que gosta mais facilmente não entende nem o sofrimento que é viver com um corpo que não corresponde a sua identidade de gênero, nem as peculiaridades dos relacionamentos (e do sexo) gay.
 
 
Bill Roundy é um cartunista gay cis (ou seja, se identifica com o gênero de seu nascimento). Entre vários trabalhos em HQ estão alguns quadrinhos românticos gays muito fofos. Ao longo do tempo descobriu que gosta de namorar transhomens gays. Com isso, descobriu que a patrulha da sexualidade alheia vai além do que se espera: as pessoas começaram a por em dúvida a homossexualidade dele porque ele gostava de namorar “mulheres”. Depois de muito explicar sem sucesso, ele teve que desenhar. Esses quadrinhos são o resultado...
 
 

 
 

domingo, 17 de novembro de 2013

Comissão do Senado pode votar na quarta-feira substitutivo de projeto que criminaliza a homofobia


 
Publicado pelo O Mossorense
 
O senador Paulo Paim (PT-RS) entregou na quinta-feira (14) à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) seu substitutivo ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que criminaliza a homofobia, e anunciou que o texto poderá ser votado na próxima quarta-feira (20).
 
Paim informou que, para a elaboração de seu relatório, buscou ouvir todos os segmentos e que o texto “não entra na polêmica” da definição de homofobia.
 
– No texto, não vai entrar a palavra homofobia.
 
O parlamentar informou ainda que incluiu em seu substitutivo, para que conste em uma única lei, o combate a todo tipo de preconceito, para evitar críticas de que a futura lei só buscaria acabar com a discriminação contra a orientação sexual. – Toda a discriminação tem que ser combatida – frisou.
 
Segundo informou, poderá ser preso aquele que praticar crime de racismo, de discriminação contra idoso, contra deficiente, contra índios e em função da orientação sexual.
 
– Entrou na lei geral. Todo crime de agressão, seja verbal ou física, vai ter que responder um processo legal.
 
Ele também anunciou que incluiu parágrafo para “resguardar o respeito devido aos espaços religiosos".
 
– Dentro dos cultos religiosos, temos que respeitar a livre opinião que tem cada um. Por exemplo, você não pode condenar alguém por, num templo religioso, ter dito que o casamento só deve ser entre homem e mulher. É uma opinião que tem que ser respeitada.
 
De acordo com Paim, a nova lei terá como o objetivo “o combate ao ódio, à intolerância e à violência de um ser humano contra o outro”.
 

Pastor Metodista é afastado da igreja após consagrar a união do filho gay



 
Publicado pelo Mix Brasil
 
O pastor Frank Schaefer, da Igreja Metodista Unida de Iowa, nos Estados Unidos, resolveu rezar contra o fluxo da igreja e consagrou a união do filho gay com seu namorado. De acordo com a agência de notícias Associated Press, o pastor de 51 anos diz que ama muito seu filho “e não poderia negar esta alegria”. A Igreja não recebeu muito bem a notícia e ele foi afastado do cargo.
 
Frank e seu filho
 
Mas ele não foi o único, outros ministros metodistas que o apoiaram também foram afastados, a igreja alega que a homossexualidade é incompatível com o Cristianismo. Já o Reverendo Davi Brown, da Igreja Metodista Unida de Arch Street, diz que “se nós estamos operando sob o cargo de corações abertos, mentes abertas e portas abertas, não podemos fechar as portas para algumas pessoas”.
 
Dos quatro filhos de Schaefer, três são homossexuais. O pastor afirma ter ciência da importância do ministério em sua vida, mas não pode abrir mão de estar do lado dos filhos. “Eu me preocupo em perder minha credencial como pastor, mas estou disposto a perdê-la para um ato de amor.”
 
 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Como se contrói um medo na sociedade


 
Publicado pelo iG
Por Jean Wyllys
 
As tentativas de associar a homossexualidade à pedofilia são tão antigas quanto o ódio e a violência homofóbica, embora qualquer pessoa um pouco mais informada sobre o assunto saiba que, estatisticamente, na grande maioria dos casos, o abuso sexual de crianças é cometido contra meninas e os abusadores são pessoas da família: pais, irmãos, tios, avôs. Há abusadores gays, claro, assim como há médicos, garis, cabeleireiros, advogados gays, mas o fato é que são os abusadores héteros os responsáveis pelo maior número dos casos registrados de pedofilia – que é um crime gravíssimo – comprovando assim que esse transtorno não tem nada a ver com a orientação sexual. E boa parte dos casos denunciados de abuso sexual de meninos do sexo masculino é cometido, vale dizer, por padres e pastores, geralmente os mesmos que divulgam discursos de ódio contra os homossexuais. E contra fatos, não há argumentos.
 
Mas a estigmatização dos gays como potenciais pedófilos continua sendo usada para manter o preconceito e, principalmente, o medo contra nós.
 
Em seu livro A palavra dos mortos, o jurista Raúl Zaffaroni explica que quando um determinado grupo social é construído como inimigo e colocado como bode expiatório, “sempre se atribuem a ele os piores delitos que, certamente, com demasiada frequência, são os delitos sexuais” e acrescenta, como exemplo, que “quando o papado e o rei da França decidiram se apoderar dos bens dos templários, imputaram-nos de serem gays e lhes atribuíram um inventado ritual de iniciação e sometimento sexual”. Nas legislações homofóbicas repressivas que vigoraram ou ainda vigoram em muitos países, os gays são muitas vezes tratados como sujeitos perigosos para as crianças, abusadores em potência, pederastas, e existem leis que chegam ao extremo de punir “o homossexual que seja visto em público com um menor”, e os mesmos fantasmas são usados, com muita desonestidade, por aqueles que se opõem a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, apelando ao medo e a calúnia.
 
Não é nada novo — e nem original. Os judeus também foram acusados de devorar crianças, e também os comunistas.
 
Por isso, não me surpreendeu quando os trolls contratados por lideranças fundamentalistas começaram a tentar vincular meu nome à pedofilia, com postagens criminosas nas redes sociais. Esses canalhas chegaram inclusive a inventar uma “entrevista do deputado Jean Wyllys à CBN” na qual eu teria defendido a pedofilia. É claro que a suposta entrevista não existiu e eu jamais defendi a pedofilia, que combato como segundo vice-presidente da CPI da Exploração Sexual deCrianças e Adolescentes na Câmara dos Deputados. A própria emissora fez uma nota desmentindo a calúnia, mas as postagens dos canalhas continuam se espalhando no Facebook.
 
Nos últimos dias, recebi um e-mail desesperado de um militante do PSOL que me relatava o que está acontecendo na Paraíba com o ativista gay Renan Palmeira, presidente do Movimento do Espírito Lilás (MEL). O MEL teve a sede e casa de presidente invadidas e Renan foi acusado injustamente no “Disque 100″ de repasse de drogas e iniciação de adolescentes em práticas pedófilas. Renan sofreu ataques à sua própria casa, com pichações e depredação. A acusação (anônima) de pedofilia e tráfico é instrumentalizada para provocar a repulsa e indignação da comunidade e promover a violência contra um ativista de direitos humanos.
 
E não é casual que se trate de um ativista gay e do PSOL, o partido que levanta as bandeiras da comunidade LGBT e dos direitos humanos no Congresso e enfrenta o fundamentalismo e seus aliados políticos. Há uma campanha cada vez mais evidente contra o PSOL, promovida pelas corporações políticas, religiosas, econômicas e de outro tipo que nosso partido — pequeno, mas coerente com as bandeiras que defende e destacado nos parlamentos e prefeituras onde pode mostrar serviço à população— sem dúvidas ameaça. Numa matéria desopilante, que parece lembrar os discursos do regime militar, a Folha noticiou no mês de junho (mês das históricas jornadas que lotaram as ruas do Brasil) que o serviço secreto da Polícia Militar investigava o envolvimento de militantes PSOL na promoção de atos de violência, afirmando que se tratava de ações “semelhantes a atos de guerrilha” (!!). Um militante do PSOL de Porto Alegre, Lucas Maróstica, teve sua casa invadida e seu computador sequestrado e chegou a ser acusado de formação de quadrilha por realizar postagens no Facebook convocando às manifestações populares. Tempos que pareciam superados!
 
Voltando ao caso, de acordo com Renan, os atos de vandalismo já foram repassados para a Justiça Global, que encaminhou as denúncias para a OEA (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), solicitando proteção. No mês de agosto, na época da XII Parada LGBT, o apartamento de Renan foi arrombado duas vezes, levando objetos pessoais, documentos e o computador. O mais estranho da situação, segundo Palmeira, é que num prédio com 40 apartamentos, apenas o dele foi arrombado — duas vezes —, o obrigando a se mudar de lá. A sede do MEL, que fica na rua Duque de Caxias, foi arrombada também duas vezes, antes e depois da Parada, obrigando também a entidade a se mudar para um local mais seguro. O outdoor da XII Parada da Cidadania LGBT de João Pessoa foi pichado com frases religiosas e, em outra campanha institucional contra a homofobia, o outdoor foi destruído.
 
As acusações caluniosas por pedofilia envolveram Renan e outros ativistas. O Conselho Tutelar fez a investigação e não encontrou nenhum indício da denúncia, mas em consequência dela, o MEL deixou de dar expediente público. Também aconteceu um assassinato: a transexual Shanayne Rodrigues Macena, de 29 anos, que disputou como candidata a vereadora as eleições de 2012 em Nova Floresta e participa do setorial LGBT do PT, foi assassinada brutalmente em 22/07/2012. De acordo com o presidente do MEL, os fatos retratam uma agressão e intimidações contra militantes LGBT e de direitos humanos na Paraíba.
 
Diante desses gravíssimos fatos, venho a público cobrar a intervenção de todos os órgãos públicos para garantir a segurança de Renan e de todos/as os/as ativistas que estão sendo caluniados, agredidos e ameaçados na Paraíba. É hora de acabar com a violência homofóbica promovida pelo fundamentalismo religioso. E é hora de que o governo federal pare de se omitir e assuma sua responsabilidade política como garante da democracia, das liberdades individuais e da vida e segurança dos brasileiros e das brasileiras.

domingo, 10 de novembro de 2013

Como assumir aos meus pais, que sou gay?



Visto no Ligação Teen 

Assumir a homossexualidade para as pessoas é algo muito difícil, afinal não é algo que aprendemos na escola ou em livros, afinal quando se é heterosexual você não precisa dizer para ninguém isso, agora quando se é gay ou lésbica, mesmo que não sejamos cobrado por algo, nos sentimos na obrigação moral de contar, até mesmo para evitar um relacionamento sustentando pela mentira, com pessoas que amamos.

Entre estas pessoas estão os nossos melhores amigos e principalmente os pais, neste último caso gera ainda mais ansiedade, afinal contar aos pais pode resultar em magoas para ambos os lados. Para evitar isso, ou para preparar um pouco mais para este momento, segue abaixo algumas dicas para você.

1. Você está seguro(a) que é homossexual?
Se você ainda está confuso(a), se tem dúvidas se é mesmo homossexual, é melhor dar mais um tempo, pois, a confusão de sua cabeça pode provocar confusão ainda maior na cabeça das outras pessoas, sobretudo em sua família. Nunca assuma sua homossexualidade como forma de agressão ou vingança, num momento de raiva. Uma decisão tão importante tem de ser bem planejada.

2. Como se assumir?
Primeiro faça amizade com algumas pessoas já assumidas. Troque idéias com outras: saiba como elas vivem, como se assumiram, das vantagens de deixar de ser enrustido(a). Freqüente um pouco o ambiente homo para ver com qual dos diversos modelos de vivência gay você se identifica mais. Procure fazer boas amizades. Não faça nada de que vá se arrepender mais tarde. Depende de você fazer de seu futuro enquanto homossexual uma bênção ou uma desgraça.

3. Você se sente satisfeito(a) com seu homoerotismo?
Se ainda tem sentimentos de culpa, se acha que está errado, que tua forma de amar é pecado e se tem períodos de depressão, é melhor resolver primeiro estes problemas. É básico assumir-se primeiro em outros ambientes antes de abrir o jogo com a família. Para enfrentar esta barra, você precisa estar muito seguro(a) e ter uma auto-imagem bem positiva de sua própria homossexualidade. Auto-estima é indispensável para ser feliz.

4. Você conta com o apoio de alguém?
É fundamental que você conte com a compreensão de algum parente ou amiga próxima da família, que possa acalmar seus pais se a reação deles for devastadora. Esta pessoa é também importante para dar-lhe apoio emocional para enfrentar essa nova situação de vida. Discutam todos os detalhes, as reações previsíveis de ambas as partes, e se achar prudente, esteja com esta pessoa amiga por perto no momento da revelação.

5. Você tem bons argumentos sobre a homossexualidade?
Isto é muito importante, pois a maioria das pessoas, inclusive nossos parentes, têm medo ou ódio dos homossexuais (assim como têm preconceito racial) porque nunca souberam a verdade sobre esses temas. Você deve ter as respostas certas para substituir a ignorância do preconceito pela verdade dos fatos.

6. Qual o melhor momento para revelar que é homossexual? 
Se você avalia que sua família poderá ficar muito abalada ou que talvez não aceitarão sua orientação homossexual, infelizmente, é melhor continuar “fingindo que não é, e eles fingindo que não sabem”. Se você acha que eles primeiro vão condenar, depois vão aceitar, escolha então uma ocasião em que a família estiver tranqüila, sem doenças graves ou mortes próximas. O importante é demonstrar que a única coisa que vai mudar no relacionamento familiar a partir de agora, é que você deixará de viver na clandestinidade, continuando a mesma vidinha de amor e respeito como antes da revelação. Tranqüilize-os que você não viverá de escândalos, não será promíscuo(a) e que sabe como se cuidar.

7. Você depende de sua família?
Se você é jovem e depende dos pais, talvez seja melhor esperar para se assumir quando tiver seu próprio salário e moradia independente. Contudo, caso decida abrir o jogo ainda morando com sua família, não aceite de forma alguma que eles a expulsem de casa ou imponham qualquer castigo ou repressão. Homossexualidade não é crime nem doença e você deve exigir que seja respeitada. Afinal, se alguém está errado não é você e sim quem discrimina os gays e lésbicas.

8. Seja paciente
Se teus pais são muito conservadores e moralistas, e se não desconfiavam de nada, certamente precisarão de mais tempo para se acostumarem com a idéia de ter uma filha lésbica. Isto pode levar meses ou até anos. Se para você é muito importante manter bom relacionamento com a família, então além de ser paciente, evite qualquer conversa ou atitude que possa aumentar a vergonha ou raiva que passaram a sentir por você. Não entre em detalhes sobre sua vida íntima, só leve algum amigo gay ou lésbica à sua casa se tiver certeza que ajudará os teus pais a te aceitarem melhor.

9. Família às vezes é melhor na fotografia
Lembre-se que família não é apenas ter o mesmo sangue. Ninguém escolhe a família que tem, mas amigo, sim a gente pode escolher. Se sua família recusa-se, mesmo depois de muitas tentativas e paciência de sua parte, a te aceitar e te amar como gay, não abra mão de sua realização e felicidade pessoal para agradar aos parentes. Quem está errado não é você, são eles que devem mudar, portanto, se não te aceitam como você é, construa novos laços de amizade, amor e compreensão. Cortar o cordão umbilical ou livrar-se da barra da saia materna, no início pode ser duro e difícil, mas é o primeiro passo de uma vida mais autêntica e feliz. Também não cuspa no prato que comeu, e se puder manter bom contato com seus pais, irmãos e demais parentes, já tem um bando de aliados para enfrentar a intolerância fora de casa.

10. Não é crime ser homossexual
Todo mundo nasceu para ser feliz. A História está do nosso lado, e os países mais civilizados, onde os gays, lésbicas, bissexuais e transexuais são respeitados como cidadãos, dão o exemplo que é melhor conviver e respeitar a pluralidade do que marginalizar as “minorias”. Se você sente amor, paixão e tesão por pessoas do mesmo sexo, saiba que não está sozinha: mais de 10% da humanidade é igual a você. Em cada quatro famílias, numa tem um homossexual. E para a sua maior segurança e calar a boca dos intolerantes, não se esqueça de citar famosos da história da humanidade, que como você, praticaram o “amor que não ousava dizer o nome”. Muitos homens e mulheres que você conhece que com garra, luta, sensibilidade nos ajudaram e ajudam a construir a nossa história e luta pela visibilidade, direitos e cidadania. Mire-se nesses exemplos.

fonte: Grupo Gay da Bahia, ONG fundada em 1980, pelo militante gay e professor Luiz Mott do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia.

Estas são algumas dicas bem legais e baseada em experiência de anos, da ONG. Lembre-se que cada caso é um caso e só você poderá saber quando estará preparado. Procure não ser pego de surpresa apenas, tipo de seus pais virem te perguntar ou de descobrirem por outros meios, normalmente quando isso acontece a probabilidade de você ficar nervoso e ser pego num momento sensível é muito grande, e você neste momento precisa ser forte.

No meu caso em particular quando me assumi, imaginava uma reação de minha mãe e acabou sendo outra totalmente diferente e melhor. Eu fiquei muito mais nervoso do que ela no momento, porque ela me pegou de surpresa, já que eu sempre dizia que não queria namorar por causa dos estudos (desculpinha besta, mas muito utilizada).

Especialistas respondem 10 dúvidas das mulheres sobre sexo anal



Por Thaís Manarini para o IG 

Pesquisa aponta que 57% das mulheres praticam; ainda assim, o tema é cercado por dúvidas

Em pesquisa realizada pelo Datafolha em 2010, 57% das mulheres brasileiras declararam fazem sexo anal. 43% delas não praticam ou omitiram a resposta. Apesar de a maioria se declarar praticante, diversas dúvidas sobre o tema ainda persistem. Veja as respostas a dez perguntas frequentes. 

1 - É mais fácil pegar AIDS por sexo anal? 
Sim, pois a prática gera microtraumatismos na mucosa retal (revestimento interno) que servem como porta de entrada para o vírus. 

2 - Praticantes de sexo anal têm mais chances de desenvolver fissuras ou hemorróidas? 
Não. Esses quadros são consequências de mau funcionamento intestinal. Mas atenção: quem já apresenta fissuras ou está no período de inflamação da hemorróida pode sentir bastante dor durante o sexo anal. É melhor evitar.

3 - Mulheres que praticam sexo anal têm mais infecção vaginal? 
Nada disso. Se tomar cuidado, não há perigo de desenvolver o problema. A principal recomendação é nunca realizar o sexo vaginal após a penetração anal e nem usar os dedos e acessórios para manipular a vagina depois de ter estimulado o ânus. Ao entrar em contato com a região anal, tanto o pênis como os dedos e brinquedinhos são contaminados com fezes ou secreções fecais. Essas secreções apresentam bactérias que podem causar “estragos” em contato com a vagina ou boca. Além da infecção vaginal, mais problemas podem ocorrer, como infertilidade, infecção da região da bacia e do abdome e até aborto em caso de gravidez. 

4 - Sexo anal normalmente estoura a camisinha? 
Mito. Isso só acontece se houver algum erro na forma de usá-lo. Para evitar problemas, o preservativo deve ser de boa qualidade e proporcional ao calibre do pênis. 

5 - O sexo anal pode desencadear câncer no reto ou de intestino? 
Boato dos grandes. Nenhum estudo mostrou a existência dessa possibilidade. 

6 - Sexo anal dói muito? 
Quando se insinua uma penetração anal os músculos locais se contraem como uma forma de defesa. Haverá dor se o casal não esperar que esses relaxem. Para o relaxamento ocorrer é preciso paciência, cumplicidade, confiança e carinho. Se o desconforto for muito intenso durante a relação o ideal é procurar um especialista. 

7 - É muito difícil a mulher ter um orgasmo com sexo anal? 
Não, mas é preciso que o casal tenha um maior aprendizado em relação a essa prática sexual. Para isso, nada melhor do que conversar com o parceiro e informar, por exemplo, suas preferências em relação à posição e velocidade de penetração. 

8 - Fazer sexo anal com frequência é prejudicial à saúde? 
Se for praticado com delicadeza - e respeitando as normas de higiene e utilização de preservativo - não é prejudicial à saúde. O uso da camisinha é indispensável. 

9 - É preciso fazer uma lavagem no reto antes de praticar sexo anal? 
A higiene externa com água e sabonete é importante. Já a interna - chamada "enema" - é opcional.

10 - Sexo anal muda a atividade intestinal? 
Esse ato sexual não interfere no hábito intestinal nem nos movimentos peristálticos (que ocorrem dentro do intestino). 

Colaboraram os médicos: Otto Henrique Tôrres Chaves, chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia e professor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, e Celso Marzano, urologista e autor do livro sobre sexo anal "O Prazer Secreto", Editora Éden.