sábado, 24 de agosto de 2013

"Lésbicas: orgulho e visibilidade" Por Ivone Pita




Alerta às pessoas trans: o texto abaixo trata especificamente de lésbicas cisgênero.  

Somos lésbicas. Somos mulheres que vivem sem homens em um mundo machista e de mentalidade patriarcal. Somos mulheres que subvertem a ordem do sexo frágil, da dependência e da subserviência. Somos mulheres que não seguem o “manual de boas práticas femininas”, que dita modos de vestir, de agir, de falar, de ser e estar no mundo. Somos revolucionárias na acepção própria da palavra: fazemos uma transformação radical na estrutura da sociedade. Estamos onde supostamente mulheres não deveriam estar. É ainda espantoso para muitos, por exemplo, aceitar que duas mulheres possam viver sem um homem. Como vão resolver tarefas cotidianas tidas como masculinas? Não irá lhes faltar força? Jeito? Tino? Há ainda as tentativas de ridicularizar, diminuir e não reconhecer nossa sexualidade. Há uma desqualificação fálica de nosso sexo. Para machistas de carteirinha – e uniforme completo! – lésbicas não trepam de verdade, apenas brincam de se esfregar. Sim, meninas, como se fosse pouco e somente o que fizéssemos. Mas a despeito das agressões e desqualificações, seguimos subvertendo a ordem, desconstruindo certezas e quebrando o que estaria estratificado.

Entretanto, sem orgulho, nada disso é possível. Sem orgulho, nos encolhemos, nos escondemos, deixamos a vida passar. Sem orgulho, não nos fazemos visíveis e sem visibilidade é como se não existíssemos. E, assim, nenhuma revolução acontece, nenhuma revolução é possível. E sem visibilidade não promovemos o orgulho. Somente a partir do momento em que nos tornamos visíveis por sermos nós mesmas, é que somos plenamente orgulhosas de sermos quem somos.  E para isso é preciso coragem, muita coragem. Vivemos em uma sociedade que insiste em dizer qual é o lugar da mulher, como deve ser sua inserção social e como deve se comportar. Sendo lésbica, melhor nem existir, pois não cabemos nos papéis destinados à mulher. E é assim que cotidianamente a sociedade nos diz que deveríamos nos envergonhar de ser quem somos e esconder nosso amor. É assim que a sociedade insiste em nossa invisibilidade, pois o que não se vê não existe, não incomoda, não subverte.

Quando permanecemos invisíveis, contribuímos com a manutenção da discriminação e da violência, motivos pelos quais muitas mulheres optam por uma vida de anulação e silêncio. Contribuímos com a lesbofobia, pois não dizemos ao mundo que estamos em todos os lugares, em todas as profissões, em todas as famílias, em todos os cargos. Não dizemos que somos mães, filhas, avós, tias, irmãs, empregadas domésticas, médicas, advogadas, professoras e toda sorte de representação e inserção social. Não ajudamos outras mulheres a se revelarem, a se assumirem, a serem plenas. Assinalando nossa existência, derrotamos o medo do desconhecido, a discriminação e o ódio alimentado pela perversidade delirante – e nada inocente – de lésbicas destruidoras de família. Existindo publicamente, abordamos questões que nos são específicas e combatemos o sexismo.

A invisibilidade é uma grande violência contra nós  lésbicas. Na mídia, por exemplo, o foco são os homossexuais masculinos. A violência homofóbica é tratada como um fenômeno que atinge somente homens. A violência física a nós mulheres, provocada especificamente por nossa sexualidade, não é mostrada nos jornais, e isso se deve à violência do silenciamento: seja pela invisibilidade auto-imposta, por medo, seja pela falta de estatística específica.  Não temos dados específicos de coisa alguma e são raros os registros de nossa história. E daí a imensa importância do coletivo. Para enfrentar os desafios que nos são apresentados e superar tanta opressão, não há como avançar individualmente, a única forma de alterarmos o ciclo perverso de invisibilidade e descaso é pela união de nossas vozes, de nossa força. A única saída possível é nos organizarmos e lutarmos. E isso depende de cada uma de nós, não de agentes externos. A visibilidade lésbica cotidiana é que derrubará a censura que nos é imposta e o cerceamento de nossos afetos e desejos, portanto, realize algo grandioso: torne-se visível, desafie a opressão e o autoritarismo da heteronormatividade, pois é assim que escreveremos nossa história, uma nova história, e construiremos uma sociedade mais justa, mais solidária, democrática e plural. Nós temos direito à existência, a uma vida completa, à cidadania plena, à visibilidade. Podemos e devemos ser felizes. Plenamente felizes.

Sobre Ivone Pita

Sou ativista dos maus costumes. Convivo bem com diferenças. Nós seres humanos somos o que há de mais lindo e mais podre nesse planeta. Amo as lindezas, combato as podridões. Estou sempre aprendendo a ter olhos de ver. Sou daquelas que sempre convida outras pessoas a virem comigo. E tudo isso é vício.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Como descobrir se ele ou ela é homossexual?


Especialista e gays dão dicas para identificar se o parceiro/a gosta de uma pessoa do mesmo sexo


Visto na Band 

O namoro não anda lá essas coisas e o parceiro (a) parece não demonstrar mais o mesmo interesse no sexo... Isso pode ser um sinal de que ele (a) esteja em dúvida sobre a própria opção sexual – seja por uma aventura bissexual ou até mesmo de repetir uma experiência homossexual do passado.

Mas será que existe alguma forma de perceber se ele ou ela é gay? De acordo com a psicóloga e especialista em sexualidade humana Carla Cecarello, os sinais nem sempre são claros. "Às vezes são meses de relacionamento para que se perceba ou para que a pessoa conte que ela é homossexual", explica.

Carla afirma que o beijo de um homossexual que se relaciona com um heterossexual não tem o mesmo calor e a mesma “ardência”'. A especialista diz que os beijos costumam ser "chochos" apenas para constar que ainda “gosta da pessoa”, que faz parte do "padrão da sociedade".

A psicóloga ainda conta que o casal – um heterossexual e outro que está “indeciso” ou é homossexual – passa muito mais a se comportar como bons amigos ou irmãos. "Normalmente, eles se dão muito bem fora da cama, são ótimos companheiros, porém, sem aquela história de pegar na mão, andar abraçadinhos, entre outros quesitos de um casal apaixonado e com a mesma química." Carla ainda ressalta que nessa situação, geralmente, o sexo é ruim e precário, por isso a relação fora da cama acaba sendo mais aprimorada.

Você desconfia...

Para uma pessoa heterossexual, existe uma demora grande em acreditar que o parceiro seja gay. "Ela fica pensando na probabilidade de uma pessoa homossexual estar dividindo a cama com ela e como explicar para a família e amigos”, afirma a psicóloga. Além disso, segundo Carla, o “hétero” pensa em como enfrentar a decepção de não ter percebido antes e ter feito a escolha errada. Por conta disso, muitos casais demoram anos para se separar definitivamente.

Será que ele é?

Carla conta que o homossexual dificilmente está disponível para o sexo. A especialista diz ainda que há sempre uma desculpa, um desinteresse excessivo e constante.

Ainda de acordo com Carla, no caso dos homens, eles acabam com dificuldade até de ficar excitados. "As ereções geralmente ocorrem nesse caso quando eles acabam fantasiando sexualmente durante a transa com outro homem", revela.

Além disso, a especialista afirma que propostas para práticas diferentes no sexo não existem.

Dicas dos gays

Segundo a relações públicas Daniela Sanches (nome fictício), de 31 anos, a tática infalível para descobrir se uma mulher é gay é jogar o charme. Se ela entra no clima, pronto. "Se você jogar um olhar fulminante, um bom papo e a pessoa retribuir, começou o jogo", conta.

De acordo com Daniela, uma 'hétero', por mais educada que seja, irá arranjar uma forma de cortar “o clima” ali mesmo. "Se ela for curiosa ou lésbica 'enrustida', certamente vai prolongar o papo. Ela vai te dar a entrada, vai se sentir lisonjeada (mesmo que não haja química com você).”

Daniela ainda conta que no meio gay um reconhece o outro. "Quase sempre o ‘radar’ funciona. Eu bato o olho e sei o que a pessoa é. Também pelo modo de olhar, se expressar e algumas vezes pelo estilo. Você percebe na reação dela. Se ela sorrir então, bingo!".

Questionada se a pessoa já nasce gay, Daniela afirma que apenas com o passar do tempo foi formando sua identidade, vivendo experiências e constituindo a personalidade.

"Alguns se 'descobrem' cedo porque se permitem viver experiências, se conhecer melhor e tem uma estrutura familiar adequada”, conta Daniela. “Outros demoram muito mais porque estão mais fechados e não se conhecem o suficiente. Tem medo de enfrentar os olhares de reprovação, por isso o apoio da família nestas horas é importante e determinante", finaliza.

A fotógrafa Thamy Teixeira (nome fictício), de 22 anos, diz que as chances das mulheres sentirem vontade de ficarem umas com as outras é enorme, pois, segundo ela, o público feminino é parecido e as mulheres estão geralmente envolvidas emocionalmente. "Esses fatores aumentam a oportunidade de termos intimidade, traição e sentimentos românticos."

Thamy diz que todos nascem bissexuais. "A sociedade direciona uma opção sexual para o lado heterossexual e retrai a pessoa quase a vida dela inteira, alienando ser heterossexual, pois homossexualidade não esta escrito da bíblia de uma maneira positiva. Muitas pessoas não aguentam essa pressão."

Truques para descobrir se ela é homossexual*:

  1. Mulher que se diz cabeça aberta e que não tem preconceito algum;
  2. Mulher que usa com frequência anel no dedão;
  3. Mulher que gosta de andar frequentemente com as mãos do bolso, principalmente usando calça jeans;
  4. Pergunte para uma mulher que se diz hétero se ela não teria problema em beijar algumas mulheres famosas. Se ela responder, é porque tem desejos;
  5. Mulheres que sempre falam ter nojo de outras mulheres abertamente – elas podem ter um desejo oculto dentro.

Truques para descobrir se ele é homossexual*:

  1. Homem que tem amigo e frequenta balada GLS;
  2. Homem que entende de signo;
  3. Homem que tem mania de gostar muito do próprio corpo e dizer que é gostoso, sarado, entre outros elogios;
  4. Quando o homem é muito homofóbico, também é um sinal;
  5. Se usa cueca Calvin Klein é um indício. Gays adoram marcas;
  6. Gosto musical um pouco diferente;
  7. O modo que ele trata homens e mulheres na frente dos outros;
  8.  Homem que mexe muito no cabelo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Professores gays repreendem menos a homofobia nas escolas



Visto no Parou Tudo 

Uma pesquisa com mais de 350 professores e diretores elaborada pela Universidade de Millersville, na Pensilvânia, Estados Unidos, concluiu que professores homossexuais tendem a repreender menos atitudes homofóbicas dos alunos nas escolas com medo de serem prejudicados.

Professores gays, lésbicas, bissexuais ou transgêneros têm medo de intervir quando os estudantes usam palavras homofóbicas, inclusive quando praticam bullying chamando outra criança de “gay”. 

“Eles temem pelo trabalho ou pela repercussão de serem vistos como gays”, afirmou Tiffany Wright, que participou da pesquisa publicada pela revista “TES”.

Segundo a pesquisadora, mais de um terço dos professores entrevistados temem que seus empregos fiquem em risco, caso a sua sexualidade seja descoberta.

Dois terços dos pesquisados responderam que raramente ou nunca veem outro professor intervir quando presencia algum comentário homofóbico. Mais grave: 59% disseram que já ouviram comentários homofóbicos feitos por outros professores.

domingo, 4 de agosto de 2013

"O Papa e os gays" Por Bruno Bimbi



Por *Bruno Bimbi para O Globo 

Ativista que participou da campanha na Argentina pelo casamento igualitário, combatida por Bergoglio, analisa suas declarações sobre os homossexuais

“Alô, Marcelo? Quem fala é Jorge Bergoglio.”

Marcelo Marquez não acreditava.

Alguns dias antes, Bergoglio tinha enviado uma carta às freiras carmelitas — que eu obtive e fiz publicar nos jornais —, na qual chamava à “guerra santa” contra a lei de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, aprovada na Argentina em 2010.

Bergoglio dizia que o projeto era obra da inveja do Demônio, “uma jogada do pai da mentira, que pretende confundir e enganar os filhos de Deus”, e por isso chamava a “defender a família argentina” e acrescentava, com dramatismo: “Esta guerra não é vossa, mas de Deus”.

A palavra “guerra” tinha sido demais para Marcelo, que é gay e católico.

Indignado e triste, resolveu escrever para o cardeal: “Sou um homem de profunda fé em Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, de um profundo e fervoroso amor à Igreja”, ele dizia. Falava de sua fé, mas também da dor pelo discurso de ódio que naqueles dias humilhava milhares de gays e lésbicas como ele, saído das bocas da hierarquia eclesiástica e do cardeal.

A “guerra santa” de Bergoglio não era apenas uma frase desastrada. Representantes da Igreja iam às audiências organizadas por uma senadora do Opus Dei e diziam coisas irreproduzíveis sobre gays e lésbicas. Algumas universidades católicas pediam aos alunos para assinar uma petição contra a lei. Nas audiências realizadas pelo Senado em províncias pobres nas quais a Igreja ainda é poderosa, os ativistas de direitos civis precisavam sair protegidos pela polícia, porque manifestantes que se diziam cristãos cuspiam neles e ameaçavam espancá-los. Bispos ligavam para senadores, suas esposas e seus filhos. Advertiam que colocariam a Igreja para fazer campanha contra eles se votassem a favor do projeto. E em muitas cidades, as escolas administradas pela Igreja levavam crianças do ensino fundamental a passeatas com cartazes que diziam “Não ao casamento gay”. Os professores pediam aos meninos, como dever de casa, para recolher assinaturas dos pais e parentes adultos contra os direitos dos homossexuais.

“Esta lei não tem nada a ver com a ‘destruição da família’”, escreveu Marcelo ao cardeal. “Muito pelo contrário, ela é inclusiva, sanadora e até salvadora. É uma coisa que há tempos a sociedade nos deve”.

Agora, tinha Bergoglio do outro lado da linha.

“Por que o senhor fez isso?”, foi a primeira coisa que Marcelo perguntou.

“Tenho grande respeito pela comunidade homossexual.”

“Então por que fez isso?”

“Porque não é o momento apropriado para essa lei ser aprovada.”

Como assim? Não era o momento para aprovar um projeto do Demônio para “destruir o plano de Deus”? Há um momento apropriado para isso?

A resposta do homem que ainda não se chamava Francisco serve para entender quem é o Papa formado na organização de direita Guardia de Hierro, na década de 70, e depois na Companhia de Jesus. A verdade sobre a sua relação com a ditadura ainda é obscura.

“Esse tema foi usado para contendas políticas e as coisas se complicaram, por isso escrevi a carta às irmãs carmelitas”, ele se justificou.

Era uma questão política.

É o mesmo que seus colaboradores repetiriam em off aos jornalistas. Que o monsenhor Aguer, seu inimigo interno na Igreja, o pressionava. Segundo os porta-vozes do cardeal, Aguer o acusava de “brando” na luta contra o casamento gay e o derrotou numa votação interna do clero.

Mas a primeira intervenção de Bergoglio no debate sobre o casamento igualitário tinha sido meses antes, quando uma juíza de Buenos Aires autorizou o casamento civil de um casal gay, respondendo a uma ação que apresentamos nos tribunais. O prefeito portenho, Mauricio Macri, de direita, surpreendeu o país ao anunciar que não recorreria da sentença e que apoiava o direito dos homossexuais ao casamento civil. A Igreja não esperava isso dele.

O cardeal divulgou uma nota em que dizia que “afirmar a heterossexualidade do casamento não é discriminar”, caracterizava a sentença da juíza de “ilegal” e qualificava a decisão do prefeito como “lamentável e surpreendente”. Eles se reuniram a portas fechadas e, após a reunião, Bergoglio emitiu uma nota acusando Macri de ter faltado gravemente “ao seu dever de governante e guardião da lei”. Estava furioso.

Macri recuou e o casal teve de viajar até a Terra do Fogo, no sul do país, para fazer o casamento em segredo, autorizado pela governadora Fabiana Ríos. Houve novas sentenças a favor de outros casais e, dessa vez, Macri apoiou as bodas. A lei começou a avançar no Congresso e, com o apoio de Néstor e Cristina Kirchner e de vários líderes da oposição, foi aprovada na Câmara dos Deputados. Foi tudo muito rápido para os bispos, que acreditavam que isso jamais aconteceria.

Quando a lei passou ao Senado, Bergoglio enviou a carta às freiras chamando à “guerra santa”. Minutos antes da votação do Senado, na madrugada de 15 de julho, o líder da bancada governista disse na tribuna: “Eu achava que Bergoglio era mais inteligente”. A lei foi aprovada e milhares de pessoas, em frente ao Congresso, cantavam palavras de ordem usando o nome do cardeal.

É claro que ele aprendeu com essa experiência.

As declarações sobre o “lobby gay” que fez na viagem de volta para Roma, depois da Jornada Mundial da Juventude no Rio, não me surpreendem. Mas o que, na linguagem de um Papa, ele disse aos jornalistas? Suas palavras foram muito bem calculadas. Ele não as disse na praia de Copacabana, nem na reunião com os bispos, mas no avião com os repórteres da imprensa internacional. Ele disse que “se uma pessoa é gay e procura o Senhor”, ele não é ninguém para julgá-la, mas logo depois esclareceu que isso está no catecismo da Igreja, que o explica “de maneira muito linda”.

E o que o catecismo da Igreja diz? Que a homossexualidade — mencionada logo depois da pornografia, da prostituição e da violação — é uma propensão desordenada e uma depravação grave e que os “atos homossexuais” são contrários à lei natural e “não podem ser aprovados”. Os homossexuais, segundo o texto, devem ser acolhidos pela Igreja com respeito e compaixão, mas deve exigir-se a eles que sejam celibatários. E nada de querer casar. É o mesmo que Bento XVI dizia, mas Francisco sabe como falar para que suas palavras soem como inovadoras. Ele não é um intelectual alemão, mas um político argentino, acostumado a almoçar com políticos e jantar com jornalistas e a fazer muito lobby, embora tenha condenado o fantasioso “lobby gay”.

Mesmo assim, suas palavras são positivas, não porque signifiquem uma mudança na doutrina da Igreja, mas porque se os jornais dizem que o Papa disse alguma coisa boa sobre os gays, mesmo que ninguém entenda o significado teológico das expressões usadas, isso dará conforto a muitos gays cristãos e até pode fazer com que algumas pessoas homofóbicas mudem de ideia, achando que é isso que o Papa quer. Se isso significar menos sofrimento desnecessário para um jovem gay em conflito com sua fé ou com sua família, valeu a pena. Mas eu não me iludo: Francisco é Bergoglio.

Ele deixou claro para os jornalistas que o que pensa sobre os nossos direitos civis é o que todo o mundo já sabe. Sua opinião sobre o casamento gay é a opinião da Igreja, que já se expressou perfeitamente sobre isso, ele disse. E, ao citar o catecismo, também frisou, para quem precisa ouvir, que a doutrina sobre a homossexualidade continua a mesma.

Alguns nos pedem paciência. Pediriam paciência aos negros se o catecismo da Igreja, elogiado pelo Papa como “lindo”, falasse que essa cor da pele é contrária à lei natural e que os negros são depravados?

Se Francisco quiser, tem o poder de mudar as coisas de verdade, como outros líderes de diferentes religiões já fizeram. Deveria ouvir, por exemplo, o arcebispo anglicano da Cidade do Cabo, Desmond Tutu. Prêmio Nobel da Paz e companheiro de Nelson Mandela na luta contra o apartheid, Tutu disse que a homofobia é equiparável ao racismo, que fica estupefato vendo as igrejas debaterem “quem vai para a cama com quem” e que, se o céu fosse homofóbico, preferiria ir para outro lugar. Ele até é a favor da ordenação de pastores homossexuais e, é claro, não tem problemas com o casamento igualitário. A Bíblia que eles leem é a mesma e Francisco tem mais poder do que Tutu em sua igreja. Afinal, ele é o Papa. Não tem mais desculpas.

*Bruno Bimbi é jornalista, mestre em Letras e doutorando em estudos da linguagem na PUC-Rio. Ativista da Federação Argentina LGBT, foi um dos responsáveis pela campanha que levou à aprovação do casamento igualitário no país vizinho. É autor do livro “Casamento igualitário” (Garamond), que será lançado em agosto

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Por que os gays ainda são hostilizados por parte da sociedade?


Por Daniel Santos 
Visto no UOL

A comunidade gay, mesmo em tempos de avanços na sociedade e amplo acesso à informação, ainda vive sob o jugo da violência e da discriminação. Embora os homossexuais tenham uma trajetória de lutas que garantiram vitórias significativas - como, por exemplo, a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, em maio, determinou a conversão de união estável homoafetiva em casamento -, a intolerância ainda assusta e mata.

Relatório divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos (SHD) no final de junho revelou que, em 2012, os casos de violação - violência física, psicológica e discriminatória - contra os homossexuais cresceram 46,6% no país, passando de 6.809 casos em 2011 para 9.982 no ano passado. Mas esses números podem ser ainda mais assustadores, de acordo com o antropólogo Luiz Mott, militante e fundador do Grupo Gay da Bahia. Para Mott, os dados do SDH são "incompletos" e "subnotificados". "Até fevereiro de 2013, o nosso site - 'Homofobia mata' - contabilizou 338 assassinatos, enquanto o governo divulgou 311 homicídios até junho", criticou Mott.
 
Para abordar a questão além das estatísticas, o BOL conversou com especialistas que discutiram por que a homofobia ainda é tão presente na nossa sociedade, quem são os homofóbicos e o que mudou na história marcada por ódio e intolerância.
 

Afinal, quem são os homofóbicos?

Para Carmita Abdo, psiquiatra, professora de Medicina Sexual e coordenadora do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, a repulsa à homossexualidade pode ser consequência da falta de conhecimento. "Todos temos alguma dificuldade, maior ou menor, de lidar com o que é diferente de nós.  No caso da homossexualidade, algumas pessoas são realmente avessas e têm necessidade de se contrapor ao que desconhecem e, por isso temem e rejeitam", explica.

A psiquiatra também ressalta que muito se confunde sexo (que se refere a características anatômicas) e gênero (que define um padrão de comportamento com o que a pessoa se identifica). Abdo explica que sexo e gênero não são sinônimos, e que quem não consegue separar um do outro, também não lida bem com  a diversidade. Opinião semelhante tem o psicoterapeuta e professor da Professor na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Sócrates Nolasco. "A questão é que o sexo não diz tudo sobre nós, mas acredita-se que dirá tudo sobre os homens fadados a fazer dele um sentido para suas vidas."

No livro "A Cama na Varanda", a psiquiatra e sexóloga Regina Navarro Lins aponta três hipóteses para definir os homofóbicos. "Para alguns isso estaria ligado à noção de que a homossexualidade está em ascensão e que, se não for refreada, poderá ameaçar a unidade familiar e a estrutura da sociedade como um todo. Outro motivo seria a convicção de que a maioria dos homossexuais não se controla sexualmente. Entretanto, é provável que a razão mais significativa da hostilidade dos homens heterossexuais seja o temor secreto dos próprios desejos homossexuais", analisa.

A crítica de Regina remete à pesquisa "Is Homophobia Associated with Homosexual Arousal?" (A homofobia é associada à excitação homossexual?), feita pela Universidade da Georgia (EUA), em 1996. O estudo reuniu 64 homens, com 20 anos em média, que se declaravam heterossexuais, divididos em dois grupos: "homofóbicos" e "não homofóbicos". As classificações foram definidas após uma entrevista que estabelecia o índice de homofobia.

No teste, os voluntários assistiram a três filmes pornográficos com cenas entre heterossexuais, gays masculinos e femininos. Todos vestiram um plestimógrafo peniano (argola de borracha recheada de mercúrio líquido), que registrou a excitação pelo crescimento do pênis. O resultado mostrou que o grupo "homofóbico" apresentou ereção significativa diante das cenas de sexo entre dois homens, o que comprovou a tese da psicologia dinâmica (que mapeia processos mentais) de que indivíduos homofóbicos podem ficar excitados diante de estímulos homossexuais.

"A pesquisa remete para a ideia de que a insegurança lança mão da violência para banir do sujeito a estranheza que sente em relação a si mesmo. Homofóbicos são pessoas que não foram alfabetizadas na própria língua, não sabem dizer-se. A violência serve para integrar o que está despedaçado dentro do sujeito, levando-o a temer a própria desintegração psíquica", analisa o professor Nolasco.

Regina também ressalta que o modelo patriarcal (que estabelece o poder do homem "macho" nas relações sociais), ainda presente na sociedade, reforça o preconceito contra homossexuais. "Ainda é muito forte a mentalidade de que os gays seriam 'traidores' do ideal masculino. E isso pauta um pensamento enquadrado em 'modelos', ou seja, em não aceitar as diferenças", explica Regina.

Por outro lado, a  psiquiatra Camita Abdo alerta que é arriscado e simplista afirmar que todo homofóbico seria na verdade um "gay enrustido". "Sem dúvida há  homofóbicos que inconscientemente temem a própria homossexualidade e por isso não a suportam no outro. Essa situação já foi descrita por Sigmund Freud, o criador da psicanálise, quando comentou a respeito do "verso/ reverso entre medo e desejo", comenta Abdo.
 
Os altos índices de violência contra gays também podem ser a constatação de que a ala preconceituosa se sente ameaçada e reage: atualmente, os gays se mostram mais e se apresentam socialmente, com menos disfarces. Está sendo superado o grande constrangimento de ser percebido como gay. "Já há algum tempo estamos assistindo a  uma 'transformação gay'... Houve época em que os homossexuais criavam seus espaços sociais e neles conviviam entre si, mas isolados da sociedade heterossexual. Hoje eles compartilham  lugares comuns com os não homossexuais. Essa realidade leva alguns homofóbicos a acreditarem que estão sendo invadidos em seu território", avalia Abdo.
 

A herança do nazismo

O ódio contra gays não é uma manifestação recente. Desde os tempos mais antigos, homossexuais já tinham algozes que rotulavam a homossexualidade: na Idade Média. como pecado; na Idade Moderna,  como crime; no final do século 18, a medicina adotou a concepção religiosa, que tratava a homossexualidade como 'doença'. E, ainda hoje, há quem defenda que a homossexualidade deve ser tratada como patologia.

Nos campos de concentração nazista, por exemplo, prisioneiros e soldados gays eram marcados com a letra A, que mais tarde foi substituída por um triângulo cor-de-rosa, para diferenciá-los. Os carrascos acreditavam que era possível curá-los. Os homens eram submetidos a procedimentos clínicos bizarros e cruéis, como a lobotomia - cirurgia que retirava parte do cérebro.

No campo de Flossenburg (Alemanha), nazistas abriram uma casa de prostituição para "livrar soldados doentes e pervertidos". Os gays que se "curavam" eram enviados para combater os russos. Mais tarde, o endocrinologista holandês Carl Vaernet passou a castrar seus "pacientes" do campo de Buchenwald, além de submetê-los a tratamentos com hormônios masculinos. Estimativas apontam que 55% dos soldados gays morreram por causa da ignorância nazista. E, mesmo depois do fim da guerra, as vítimas ficaram sob o poder de americanos e britânicos, que os obrigaram a cumprir o restante da pena sentenciada por nazistas em prisões normais.

Vítimas da homofobia

O tempo avançou, porém a causa gay ganhou outros vilões, com comportamentos de repulsa na política, na religião e nas ruas.

O estudante de Direito André Baliera, 28, ganhou os noticiários depois que foi agredido por dois rapazes na região de Pinheiros, em São Paulo (SP). Na noite de 3 dezembro de 2012, Baliera viveu o terror da "inquisição moderna" que ainda aterroriza gays. Enquanto voltava para casa a pé, o rapaz foi insultado e agredido pelo empresário Bruno Portieri e pelo personal trainer Diego Mosca. Depois da agressão, segundo conta, ainda teve que ouvir que "apanhou de besta" e ainda foi acusado de "revidar as agressões".

"Distorceram os fatos, disseram que eu joguei pedra, que quebrei o retrovisor do carro, que eu os xinguei, revidei as agressões, que não é possível 'adivinhar' que eu sou gay, que não foi homofobia, que foi uma 'mera discussão de trânsito'", critica Baliera.

Os agressores foram denunciados por tentativa de homicídio e enquadrados pela lei anti-homofobia de São Paulo (10948/01), que, em caso de condenação, prevê multa que varia de 1.000 Ufesp's (R$ 18 mil) a 3.000 Ufesp's (R$ 54 mil), segundo informações do UOL.

O jornalista Murilo Aguiar, 24, também viveu a experiência dolorosa de ser agredido por causa de sua orientação sexual. O caso aconteceu nas dependências do clube Yatch, na zona central de São Paulo. Murilo estava na fila do banheiro quando um funcionário da faxina passou a agredi-lo verbalmente, dizendo que "todo gay tem HIV" e, em seguida, o espancou. A ocorrência, que foi parar nas redes sociais, chamou a atenção de um dos sócios do clube, que fez contato com o advogado de Murilo para dar respaldo à vítima. Além disso, representantes da casa informaram que a empresa que prestava serviços de limpeza à boate foi acionada judicialmente, e o clube decidiu por não contratar mais mão de obra terceirizada.

André e Murilo escaparam com vida. Mas nem sempre esse é o desfecho das vítimas de homofobia. Até porque, segundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia, a maioria das agressões e assassinatos acontece com gays masculinos. Isto seria um forte indício de que a homossexualidade masculina ainda é mais repugnante para os homofóbicos. A resposta, segundo os especialistas, vem novamente embasada na questão dos modelos criados pela sociedade.


"As manifestações de afeto entre duas mulheres (beijos, trocas de carícias) fazem  parte do cotidiano em diversas culturas e não surpreendem, confirmando a maior aceitação da sociedade para com esse hábito", afirma Carmita Abdo. Para Regina Navarro, a cultura patriarcal novamente predomina em relação à repulsa à homossexualidade masculina. "A sociedade é muito fincada no ideal masculino, é por isso que até mesmo homens héteros, geralmente, só demonstram um gesto de afetividade mais ousado com um tapinha nas costas. Nada melhor para ilustrar a homofobia e a hipocrisia da sociedade em que vivemos - na qual a maioria das pessoas defende os direitos humanos - do que a frase de Leonardo Matlovich, soldado da Força Aérea Americana condecorado por sua atuação na Guerra do Vietnã e expulso da corporação em 1975 por homossexualidade: 'A Força Aérea me condecorou por matar dois homens no Vietnã e me expulsou por amar um'".

Quem a homofobia matou hoje?

O Grupo Gay da Bahia, a mais antiga entidade brasileira de defesa dos homossexuais no país, também faz militância no território virtual. Com ajuda de voluntários, a instituição reúne, quase que diariamente, ocorrências de violência contra gays no blog "Homofobia mata". Somente no mês de junho, o grupo relatou 28 casos. As estatísticas, segundo informaram militantes do GGB, são utilizadas inclusive por órgãos de defesa dos direitos humanos nos Estados Unidos.

De acordo a instituição baiana, em 2012, 44% dos crimes contra gays no mundo aconteceram no Brasil. "O país é o campeão mundial de assassinatos de homossexuais. Mais de uma centena são barbaramente assassinados todos os anos, vítimas da homofobia. Após quase três décadas coletando, sistematizando e divulgando o relatório anual destes cruéis assassinatos, consideramos ser necessário a conjugação de pelo menos três estratégias fundamentais e inadiáveis para erradicar os crimes homofóbicos em nosso país", diz o fundador do GGB, Luiz Mott.

Para Mott, é questão de urgência a mudança de mentalidade da sociedade em geral, sobretudo das novas gerações, a fim de que, por meio da educação sexual, a sociedade aprenda a conviver e respeitar a diversidade sexual e de gênero, desenvolvendo sentimentos de tolerância e respeito face aos grupos diferenciados. Além disso, o antropólogo faz uma crítica aos governantes:

"O governo deve ser empenhar em aprovar leis e promover ações afirmativas que garantam a cidadania plena das minorias sexuais, investigando cientificamente as causas e como superar a homofobia cultural dominante em nosso país, punindo exemplarmente os autores de discriminações e crimes homofóbicos", diz Mott, que também classifica como imprescindível a mobilização dos próprios gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, assumindo-se e afirmando sua identidade, evitando situações de risco e denunciando qualquer tipo de discriminação, ameaça ou violência de que forem vítimas.


Aliás, o famoso "sair do armário" é uma das atitudes mais importantes para consolidar os avanços de tolerância, segundo a psiquiatra Carmita Abdo. "Quando o homossexual se camufla, ele acirra a curiosidade e a desconfiança do outro. A partir do momento em que ele se apresenta e se afirma naturalmente, ele pode mobilizar empatia e fortalecer sua inserção social", explica Abdo, que também ressalta a importância da atuação da família de homossexuais na causa gay: "Os pais dos homossexuais devem ser os primeiros e os principais interessados em trabalhar contra esse preconceito que, muitas vezes, infelizmente começa em casa".

domingo, 28 de julho de 2013

Protesto: bares gays dos EUA começam a boicotar vodca russa


 
Publicado pelo Parou Tudo
 
Bares gays de cidades como Nova York, São Francisco, Chicago, Los Angeles, Miami, Seatlle e San Diego, nos Estados Unidos, começaram um boicote contra as vodcas russas, especialmente a Stolichnaya, em protesto contra as recentes leis homofóbicas aprovadas no país liderado por Vladimir Putin.
 
Segundo o “America Blog”, a represália arco-íris também está sendo seguida por locais gay friendly de Vancouver e Toronto, no Canadá, Grã-Bretanha e Austrália.
 
O boicote começou a ganhar corpo quando o jornalista Dan Savage e o dramaturgo Harvey Fierstein publicaram manifestos contra a lei russa na última semana. “O resto do mundo continua quase ignorante a respeito da agenda do Sr. Putin. Isto tem de mudar”, disse Fierstein no “The New York Times”.
 
 

sábado, 27 de julho de 2013

Os horrores do “tratamento da cura gay” no Equador


 
Publicado pela Revista Fórum
Por Adital
 
Agressões físicas, uso de água gelada, dopagem e outros tipos de tortura e violações de direitos humanos são parte de um “tratamento” clandestino para “desintoxicar e curar” pessoas homossexuais no Equador. A existência de uma rede destes centros de reabilitação foi confirmada na quarta (24) pela ministra de Saúde do país, Carina Vance (foto).
 
Ministra de Saúde do país, Carina Vance, confirmou
a existência de uma rede ilegal de “cura gay”
 
Uma série de denúncias indicou ao governo a existência de 18 centros, dos quais 15 praticam essas agressões e três apresentaram más condições sanitárias. Em virtude disso, há cerca de oito meses, foi criada uma Comissão Nacional Interinstitucional encarregada de detectar as clínicas clandestinas que confirmou a violação dos “pacientes”. Segundo as informações da ministra, os centros estão “localizados nas províncias Tungurahua, Guayas, Manabí, Azuay, Pichincha, Santo Domingo de los Tsáchilas e Cotopaxi”, e a situação é “absolutamente crítica”.
 
Em 2012, o país concedeu autorização para 123 centros de reabilitação para dependentes químicos, no entanto, entre 70 e 80 clínicas operavam de forma ilegal e lucravam com o internamento forçado de pessoas. De acordo com o vice-ministro de Saúde, Miguel Malo, os casos não são isolados e apontam a existência de uma máfia operando na rede de clínicas clandestinas que “estavam totalmente fora de controle e regulação”.
 
Segundo as denúncias, duas pessoas morreram em consequências desses “tratamentos” no ano passado, em Machla (província de El Oro) e em Guayaquil (província de Guayas). Para reverter essa situação, o governo anunciou um plano de investimento para dez anos que prevê a construção de 950 centros de atenção integral com serviços de saúde mental em todo o território nacional.
 
Há pelo menos 13 anos que coletivos gays do Equador denunciam a existência destes centros clandestinos. Até 1997, a homossexualidade era considerada crime no país, e o Código Penal estabelecia penas de quatro a oito anos de prisão.
 
Enquanto o governo equatoriano tenta combater os “tratamentos” ilegais e violadores de direitos de pessoas homossexuais, bissexuais e transgêneros, no Brasil, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados Federal tenta aprovar o Projeto de Lei 234/11 também conhecido como Projeto de “Cura Gay”. A intenção foi fortemente rechaçada pela população, mas ainda é defendida pelo setor conservador.