sábado, 5 de abril de 2014

A luta de uma minoria é a luta de todas as minorias


 
Publicado pela Folha
Por Vitor Angelo
 
Nesta quarta-feira , 2, comemorou-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, e o que os LGBTs têm com isto? Nada, responderão os mais apressados, mas a ligação é profunda. A questão das minorias é a primeira que liga autistas, os que têm Síndrome de Down, as pessoas especiais, os negros, as mulheres e também os gays. A luta contra o preconceito e o estigma é de mesma matriz.
 
Senti que a indignação de muitos pais de autistas com a interpretação de Bruna Linzmeyer para a personagem Linda em “Amor à Vida” era muito semelhante ao de militantes gays que condenavam tempos atrás o retrato dos homossexuais na TV. Enfim, a mesma vontade de uma representação com abrangência total, o que muitas vezes é impossível por diversos motivos,e acaba gerando frustração. Este elo une todas as minorias que querem se ver representada nos meios de comunicação de massa audiovisuais: a vontade de uma representação muito realista até para que esta seja um signo do fim do estigma.
 
O mesmo pode-se falar sobre outra questão aguda aos LGBTs e aos autistas, a educação, a ida à escola. Cada grupo com seu problema específico, mas tanto um como outro sofre bullying ou mesmo muitas vezes é rejeitado pela própria escola. Além de tudo, não temos uma escola preparada para trabalhar com o diferente e as diferenças e isto faz com que diferentes como gays e autistas sejam iguais no tratamento preconceituoso.
 
Enfim, a luta de uma minoria é a luta de todas as minorias. E hoje, azul é a cor mais quente!
 
Veja artigo na Folha: CLIQUE AQUI!

O problema do gay



Publicado pelo Brasil Post
Por Nathalie Vassallo
 
"O Problema do gay" - começava minha mãe, "é a necessidade que ele tem de ser aplaudido". Estávamos no nosso natal-de-nós-duas do ano passado e conversávamos sobre tolerância. Bom, essa é a minha versão - na de minha mãe, conversávamos sobre essa história de "gay querer demais".
 
Este artigo é dedicado pra quem diz aceitar e respeitar homossexualidade e ainda se contorce ao enxergar um beijo gay; pra quem liga pra perguntar "mas é mesmo necessário fazer propaganda do relacionamento homossexual no Facebook?"; pro famoso e absurdo "não tenho problema com gay, mas precisa beijar na rua?!"; pros que insistem em se referir a namorados e namoradas de casais homossexuais como "amigo" ou "amiga". E também pro pessoal gay que senta e assiste isso tudo sem dizer nada, permitindo e alimentando tal significante limitação social. Isso é o pouco do que tenho a dizer sobre essa coisa de "eu aceito, mas agora esconde".
 
Tenho certeza que a maioria dos gays tem histórias pra contar quando o assunto é aceitação. Digo, como brincadeira, que não saí do armário - mas chutei a porta e saí dançando (ao som de Cássia Eller e Ana Carolina). Depois que o choque passou, a família foi, pouco a pouco, me presenteando com discursos de "eu aceito" - suas atitudes, porém, expressavam o oposto. A irmã de meu pai, por exemplo, me escreveu logo depois que tornei público meu relacionamento em mídia social. Com o título "ridículo", a mensagem começava com "eu aceito e não tenho o menor preconceito" e terminava no "por favor, tire isso da internet". A imagem de perfil da tia era ela e o marido, os dois sorridentes. A foto do casal continuava a aparecer na minha lista de mensagens: "você está me peitando", ela brigava. E só piorou: me atribuiu tantos adjetivos - patética, destruidora de família, rebelde - só não chamou de bonita. O importante da história foi a ironia de cada uma de suas mensagens começar com uma versão ou outra de "eu lhe aceito, mas..."
 
Essa ignorância semântica é um absurdo que só dá problema. As pessoas falam, com frequência, "eu aceito" quando o que querem dizer é "eu (quase) tolero". Ser tolerante significa aturar algo de que você não gosta muito da idéia, algo com que você não concorda ou que você associa com uns sentimentos negativos. O gay não quer demais - só pede pra ser aceito. Dizer "eu aceito e só quero que seja feliz" seguido de um "por que você precisa fazer propaganda da relação homossexual?" não é aceitação. Fugir para não falar sobre o namorado do seu filho pra vizinha não é aceitação. Apresentar a namorada da sua sobrinha como amiga não é aceitação. Aceitação é não ver nada de errado ali. Aceitar é ter como verdade, como normal, como apropriado; é compreender e até mesmo receber de braços abertos. Confundir essas duas palavras, além de ignorante, estraçalha com a paz da gente.
 
A verdade é que sempre há um processo - e não é fácil pra ninguém. Resolvi trazer a família inteira e parafrasear minha prima, quem uma vez escreveu: "o clichê [diz] que 'a geração dos nossos pais não se preparou para isso'. Mas a verdade é que não nascemos preparados para nada". É compreensível (e maravilhosamente consciente) dizer "eu tolero; ainda não aceito, mas me dê mais tempo - estou me esforçando".
 
"Eu poderia te responder com o clichê de que "a geração dos nossos pais não se preparou para isso". Mas a verdade é que não nascemos preparados para nada. Nobody does. Ao longo da vida aprendemos com as experiências acumuladas na "rua", somadas à educação que recebemos em casa. Por educação quero dizer: noção de família, limites, respeito, espaço, e de como compartilhar e vivenciar o amor. Não estamos preparados, nos preparamos diariamente. "Como nossos pais", cantaria Elis Regina." "...se há preconceito no mundo - e isso é uma neurose dos pais quando os filhos saem do armário - o pior preconceito está dentro de casa. Continuo batendo na tecla de que quem [coloca à margem] o filho(a) gay - são os próprios pais."
 
- Thatiana Rei
 
Não é justo esperar imediata aceitação de ninguém. Pais criam expectativas, além de terem suas opiniões e conceitos formados - quebrar isso tudo numa frase só pode machucar. Não só há sempre um processo, mas um processo, talvez, bem difícil - e ter a ciência de onde estamos é fundamentalmente importante pra conseguir mover na direção certa e chegar a algum lugar.
 
Se você tem um filho - ou uma filha - e parou de perguntar sobre seus planos de casamento ou filhos uma vez que descobriu sobre sua homossexualidade; se ouvir perguntas como "e sua filha, querida, está namorando?" lhe causam extremo desconforto por não querer revelar que sua menina namora meninas; se você apresenta o namorado ou namorada gay como amigo, se é contra qualquer exposição gay em mídia social, se prega que opção sexual é para ser guardada a sete chaves, esse texto é pra você: Não, você não aceita a homossexualidade ainda. Mas não tem problema; estamos todos juntos - no fundo mesmo, tudo que a gente quer é entender e se sentir compreendido, aceitar e ser aceito. Vamos ser bregas, falar baboseiras de amor, prometer respeito e dar as mãos ao decorrer do processo. Eu vou tentar o máximo compreender suas limitações; podemos começar com você perguntando se eu e minha namorada pretendemos ter filhos. Sim! - lhe respondo. E continuo: o que você acha do nome Graça pra nossa primeira menina?

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Julio Rocha e Rainer Cadete darão beijo gay no teatro


 
Publicado pelo ParouTudo
 
Não podemos dizer que não seja um ato corajoso. Dois atores que estiveram em “Amor à Vida” e são apontados pela imprensa como gays se beijarão na peça “Cachorro Sorridente”, que estreia em 10 de abril no Rio de Janeiro.
 
Rainer Cadete surge sempre nos sites de fofocas como namorado do autor Walcyr Carrasco e também estaria tendo um romance com um deputado de Brasília. Já os boatos em torno de Julio Rocha são mais discretos, mas comenta-se que ele tenha namorado um famoso diretor de TV.
 
No espetáculo, Cadete interpreta um garoto de programa e, segundo o colunista Flávio Ricco, do UOL, estaria malhando bastante para o papel. Rocha faz um ator que se envolve com o prostituto. No elenco ainda há Danielle Winits, que esteve com eles em “Amor à Vida” e a direção é de Cininha de Paula.
 
Veja postagem no ParouTudo
 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Site acusa presidente da Mozilla de homofobia e pede boicote ao Firefox


 
Publicado pelo G1
 
O site de relacionamentos OkCupid lançou nesta terça-feira (1) uma campanha de boicote ao Firefox argumentando que Brendan Eich, o novo presidente-executivo da Fundação Mozilla, que desenvolve o navegador, é contra a igualdade de tratamento para casais gays.
 
Em 2008, Eich doou US$ 1 mil para em apoio a um projeto de lei estadual na Califórnia, chamada Prop 8, que pretendia barrar o casamento gay.
 
“O novo CEO do Mozilla, Brendan Eich, é um oponente da igualdade de direitos para casais gays. Portanto, nós preferimos que nossos usuários não usem o software da Mozila para acessar o ‘OkCupid’”, escreveu a companhia em comunicado.
 
O OkCupid sugere que seus usuários optem por outros navegadores, como o Internet Explorer, o Google Chrome ou o Opera.
 
Segundo o site de relacionamento, o público homossexual é responsável por 8% dos casais formados pela plataforma. “Nós devotamos os últimos dez anos para unir as pessoas –todas as pessoas.”
 
“Igualdade para relacionamentos gays são pessoalmente importantes para muitos de nós aqui na OkCupid, Mas também é profissionalmente importante para toda a companhia. OkCupid é para criar amor.”
 
Na semana passada, o executivo foi escolhido CEO da Mozilla, o que gerou um mal-estar dentro da companhia. Três diretores da fundação chegaram a pedir demissão e outros funcionários exigiram publicamente para que o novo CEO saísse da companhia.
 
“Sou funcionário da Mozzila e peço que Brendan Eich renuncie ao cargo de CEO”, escreveu o funcionário Chris McAvoy.
 
Ainda na semana passada, em meio ao desconforto provocado pela sua nomeação como presidente-executivo, Eich escreveu em seu blog saber “que há preocupações sobre o seu comprometimento para a promoção da igualdade e recepção de indivíduos LGBT na Mozilla”.
 
“Eu estou comprometido em garantir que Mozilla é, e continuará a ser, um lugar que inclui e dá apoio a todo mundo, independente da orientação sexual, identidade de gênero, idade, raça, etnia, status econômico ou religião”, completou.
 
“Sua doação era conhecida pela Mozilla no momento da sua promoção, e além disso, CEOs são recompensados baseados na performance da companhia [...] Nós estamos tristes por acreditar que qualquer carregamento de página da OkCupid contribuiu mesmo que indiretamente com o sucesso de um indivíduo que apoiou a Prop 8 –e quem, por tudo que sabemos, a apoiaria de novo”, continuou a OkCupid.
 
Veja postagem no G1: CLIQUE AQUI!
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Fernanda Montenegro se diz animada para viver casal gay com Nathália Timberg em novela


 
Publicado pelo MSN Entretenimento
 
Escalada para a próxima novela de Gilberto Braga para o horário nobre da Globo, Fernanda Montenegro revelou que está animada para trabalhar com Nathália Timberg.
 
As duas atrizes darão vida a um casal homossexual, que decide oficializar o casamento após muitos anos de união. “Eu e Nathália já estamos juntas nessa estrada há pelo menos 60 anos”, disse Fernanda à revista “Época”.
 
E completou: “Estamos praticamente casadas, já formamos uma família”.
 
Camila Pitanga, Glória Pires e Deborah Evelyn também já foram confirmadas como protagonistas da trama. A primeira como a mocinha da história e as outras duas como as grandes vilãs.
 
O folhetim foi batizado temporariamente de “Três Mulheres” e deve estrear na Globo em abril de 2015

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A intolerância da militância (o caso Glória Pires)


 
Publicado pelo BloGay da Folha
Por Vitor Angelo
 
As conquistas de boa parte dos direitos das minorias não ocorreria sem a ajuda e a luta da militância, ela é fundamental para denunciar, defender, debater e esclarecer assuntos que são propositalmente colocados para debaixo do tapete da sociedade para negar melhor qualidade de vida para algumas parcelas desta mesma sociedade. Porém, existe um certo exercício de acusar, apontar dedos quase de forma irascível de uma parte da militância, para tudo e todos que não fazem o seu discurso e estão fora do seu quadrado, que é cheio de ódio e rancor e violência, os mesmos valores que estes militantes acreditam estar combatendo. Recentemente, um importante militante LGBT, Ricardo Rocha Aguieiras, fez aquilo que é importante para uma militância séria crescer: fez uma autocrítica da militância sobre este cartaz de uma declaração da atriz Glória Pires que foi espalhado nas comunidades gays nas redes sociais.
 
“Vejo pessoas militantes LGBT e mesmo líderes atacando a fala de Glória Pires mostrada no cartaz acima. Acho ilusório o que exigimos das pessoas não homossexuais e não LGBTs. Mas gente, ela não é militante LGBT, não tem o nosso discurso. Acho que o que ela disse é positivo, sim. Ela não se mostrou homofóbica em seu comentário, pelo contrário. Ao exigir demais, podemos é afastar pessoas aliadas. Tenho a absoluta certeza de que bastaria uma conversa com ela e ela entenderia. E ainda existem, no nosso discurso mesmo, muitas contradições. Em cima da fala de Simone de Beauvoir, a “não se nasce mulher, torna-se”; tem boa parte defendendo que com homossexuais é a mesma coisa. Afinal, ao se esconder num armário, um enrustido ou enrustida não estaria vivenciando sua homossexualidade, estaria? E tem ainda teóricos queers que falam que homossexualidade não existe, é apenas um rótulo cooptado. Então, se nem entre nós há concordâncias para levarem a um discurso único, como posso exigir isso de quem não é LGBT e está de fora dos nossos debates? ilusão acharmos que atingimos o mundo todo…”, escreveu Ricardo.
 
Um ponto muito importante colocado na entrelinhas do texto de Aguieiras é a soberba que muitas vezes a própria militância se alimenta. Exigir que todos pensem como ela (a “cartilha LGBT” diz que deve ser assim e não assado), que sigam a mesma conduta e que tenham o mesmo grau de conhecimento e discurso passa muito mais por uma atitude autoritária do que democrática.
 
Aguieiras coloca clara uma certa intransigência que permeia muito o pensamento dos militantes, como existisse uma verdade única e tudo o que fosse contrária a ela, automaticamente seria inimigo da causa. No fundo é o mesmo espelho da intolerância que os LGBTs sofrem, não existe margem para as áreas cinzas, é tudo preto no branco. Estar atento a si, em primeiro lugar, antes de apontar o dedo com tanta raiva para os outros deveria ser a primeira lição que os militantes deveriam ter, exatamente como Ricardo fez. Seria muito bom que a militância fosse cada vez mais diversa e menos intolerante, afinal é por diversidade e o respeito a ela que militamos.
 
Temos que tomar cuidado para não nos tornarmos tão intolerantes como contra aqueles que lutamos.
 
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domingo, 30 de março de 2014

Brasil ganhará novo canal pago destinado ao público LGBT


Publicado pelo Na Telinha
 
A Box Brasil, dona dos canais Fashion TV, Prime Box, Travel Box e Music Box Brazil, continua investindo em nichos segmentados. A novidade agora será o lançamento de uma nova emissora a cabo no país voltado para o público LGBT.
 
A programação do We, como o canal deve ser chamado, irá contar com séries, filmes de ficção, documentários e reportagens, além de apresentar um programa de debates sobre o assunto com foco na diversidade e nos direitos humanos.
 
Segundo informações do colunista Fernando Oliveira, as negociações com as operadoras de TV por assinatura já foram iniciadas e a ideia é lançar o novo canal ainda este ano.
 
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